Inadimplência cai no ES, mas 1,28 milhão de capixabas ainda têm dívidas em atraso
Cerca de 2 mil consumidores deixaram a inadimplência em julho; apesar da melhora, 88% das famílias permanecem endividadas e cartão de crédito lidera os compromissos financeiros

A inadimplência apresentou uma pequena queda no Espírito Santo em julho e atingiu 31,5% dos consumidores, ficando abaixo do índice registrado no mesmo período do ano passado. Apesar da melhora, o número de pessoas com contas em atraso ainda chama atenção: aproximadamente 1,283 milhão de capixabas permanecem inadimplentes.
Na comparação com junho, quando o índice estava em 31,6%, a redução foi de apenas 0,1 ponto percentual. Em números absolutos, entretanto, o resultado representa aproximadamente 2 mil pessoas que conseguiram sair da inadimplência em um mês.
Os dados são de análise do Connect Fecomércio-ES, com base na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
A comparação com 2025 mostra uma melhora mais significativa. Em julho do ano passado, 33,4% dos consumidores estavam inadimplentes. A média de 2025 ficou ainda mais alta, em 33,8%.
“Temos um avanço importante quando olhamos a inadimplência em relação ao ano passado. O índice está abaixo tanto do registrado em julho de 2025 quanto da média daquele ano, o que sinaliza uma evolução gradual da capacidade financeira das famílias”, avaliou André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES.
Famílias de menor renda puxam queda
A melhora foi impulsionada principalmente pelas famílias com renda de até dez salários mínimos, o equivalente a R$ 16.210.
Nesse grupo, a inadimplência recuou de 35,5% para 35,2%. A estimativa é de que aproximadamente 5 mil pessoas tenham deixado a condição de inadimplentes em julho.
O movimento foi diferente entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos. Nesse grupo, a inadimplência aumentou de 9% para 9,5%, representando aproximadamente 3 mil novos inadimplentes.
Com isso, o saldo entre as duas faixas de renda resultou na redução aproximada de 2 mil pessoas com dívidas atrasadas no Estado.
Dos 1,283 milhão de inadimplentes, cerca de 1,228 milhão pertencem às famílias que recebem até dez salários mínimos. Outros aproximadamente 55 mil estão na faixa de renda superior.
88% das famílias capixabas têm dívidas
Se a redução da inadimplência representa um sinal positivo, outro indicador mostra que o orçamento familiar continua pressionado.
Em julho, 88% das famílias capixabas estavam endividadas, considerando contas parceladas ou compromissos financeiros ainda a vencer, estejam eles sendo pagos normalmente ou não.
O percentual ficou praticamente estável diante dos 87,9% registrados em junho e abaixo dos 88,5% observados em julho de 2025.
Entre as famílias que recebem até dez salários mínimos, 89,3% possuem algum tipo de dívida. Nas famílias com renda superior a esse patamar, o percentual é de 79,5%.
Cartão de crédito domina endividamento
O cartão de crédito permanece disparado como a principal modalidade utilizada pelas famílias endividadas.
Entre consumidores com renda de até dez salários mínimos, o cartão aparece em 93,8% dos casos. Entre aqueles que recebem acima desse valor, o percentual chega a 97,5%.
Nas famílias de menor renda também aparecem o crédito pessoal, utilizado por 15,8%, e os carnês, com 7,2%.
Entre consumidores de maior renda, ganham importância os financiamentos imobiliários, presentes em 14,5% dos casos, e o crédito consignado, com 10,7%.
Outro indicador demonstra a dificuldade de parte das famílias para colocar as contas novamente em dia. Entre aquelas que recebem até dez salários mínimos, 63% das dívidas atrasadas já ultrapassaram 90 dias.
Comércio de olho na Black Friday e no Natal
A redução da inadimplência pode representar algum fôlego adicional para o comércio durante o segundo semestre, especialmente com a aproximação da Black Friday e do Natal, dois dos períodos mais importantes para o varejo.
O cenário, entretanto, ainda exige cautela diante do elevado nível de endividamento das famílias.
“A inadimplência está em uma posição mais favorável do que em 2025, mas isso não significa que as famílias estejam livres de pressão financeira. O consumidor continua recorrendo ao crédito e uma parcela relevante da renda está comprometida”, explicou Spalenza.
Para o comércio, a expectativa é de que condições de pagamento, descontos à vista e parcelamentos compatíveis com a capacidade financeira dos consumidores possam contribuir para as vendas dos próximos meses sem provocar uma nova escalada da inadimplência.




