Morador de Governador Lindenberg passa quatro dias sequestrado após encontro marcado por aplicativo
Homem de 53 anos foi levado para a Serra, sofreu ameaças e teve dinheiro retirado de sua conta. Familiares chegaram a receber cobranças para que ele fosse libertado.

O que deveria ser um encontro amoroso terminou em quatro dias de medo, ameaças e prejuízos financeiros para um produtor rural de Governador Lindenberg. João Batista Rodrigues, de 53 anos, foi mantido em cárcere privado na Serra, na Grande Vitória, depois de conhecer uma mulher por meio de um aplicativo de relacionamentos.
A vítima contou que não percebeu qualquer comportamento suspeito durante os primeiros contatos com Andréia Barbosa Lírio, de 36 anos. A mulher estava acompanhada de outras três pessoas, que, segundo João, transmitiam uma imagem de confiança e se apresentavam como religiosas.
O produtor chegou a acreditar que estava entre pessoas bem-intencionadas. Entretanto, a situação mudou completamente no dia 31 de outubro, quando Andréia o convenceu a viajar com o grupo até Linhares, no Norte do Estado.
Durante o percurso, o veículo tomou outro destino. Em vez de seguir para Linhares, João foi levado contra a vontade para a Serra, onde começou o período de ameaças e restrição de liberdade.
Dinheiro, compras e até um carro no nome da vítima
Na residência de Andréia, o produtor rural teria sido obrigado a transferir R$ 5,9 mil para uma pessoa apresentada como lanterneiro. Os envolvidos também teriam exigido outros R$ 4 mil para devolver o telefone celular e os documentos pessoais da vítima.
As exigências financeiras não pararam por aí. Durante os quatro dias em que esteve sob o controle do grupo, João relatou ter sido levado a estabelecimentos comerciais e a um restaurante, onde os suspeitos utilizaram seu cartão bancário para realizar pagamentos.
Em determinado momento, os envolvidos teriam tentado convencê-lo a financiar um automóvel em seu próprio nome. O produtor se recusou.
Segundo João, a mulher deixou claro que ele não poderia decidir quando iria embora. A liberdade dependeria exclusivamente da vontade dos envolvidos.
Família viveu momentos de desespero
Enquanto o produtor permanecia desaparecido, seus familiares enfrentavam dias de angústia, sem saber exatamente onde ele estava ou o que poderia acontecer.
O filho, João Otávio Ribeiro, contou que recebeu uma exigência de R$ 4 mil para que o pai fosse libertado. Durante os contatos, também teriam ocorrido ameaças contra a vida do produtor.
A família relatou que as cobranças financeiras começaram envolvendo o patrão de João e, posteriormente, passaram a ser direcionadas ao filho.
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Diante da gravidade da situação, João Otávio procurou ajuda para conseguir localizar o pai.
Produtor foi encontrado dentro de um carro na Serra
O produtor rural foi localizado no bairro Nova Carapina, na Serra, dentro de um veículo acompanhado de Alessandro Pereira de Jesus, de 45 anos, cunhado de Andréia.
Conforme as informações sobre o caso, Alessandro teria se apresentado inicialmente como pastor e sido responsável por dirigir o automóvel que levou a vítima até a Grande Vitória.
Andréia também foi localizada, em sua residência. Ela negou as acusações e afirmou que mantinha um relacionamento consensual com João.
A mulher foi autuada em flagrante por sequestro, cárcere privado, extorsão e exercício arbitrário das próprias razões, sendo encaminhada ao Centro Prisional Feminino de Cariacica.
Alessandro foi autuado por sequestro, cárcere privado e extorsão e encaminhado ao Centro de Triagem do Complexo Penitenciário Rodrigo Figueiredo da Rosa, em Viana.
Uma terceira pessoa, identificada como esposa de Alessandro, também é suspeita de envolvimento no episódio e ainda não havia sido localizada conforme as informações divulgadas.
Caso serve de alerta para encontros pela internet
A experiência vivida pelo morador de Governador Lindenberg chama a atenção para os riscos de encontros com pessoas conhecidas exclusivamente pela internet.
Especialmente nos primeiros contatos presenciais, a recomendação é escolher ambientes públicos e movimentados, informar familiares ou amigos sobre o local do encontro e evitar compartilhar informações bancárias ou pessoais com desconhecidos.
No caso de João, o encontro que começou com a expectativa de conhecer uma possível companheira terminou com quatro dias de privação de liberdade e uma família mobilizada para conseguir seu retorno.
O produtor conseguiu voltar para casa, mas os momentos de tensão e as ameaças sofridas marcaram uma experiência que, segundo seu relato, começou sem qualquer desconfiança.




